Olá nobre público do Circuito!
Nossa região é cheia de boas energias no período de festas. A contar pelas vilas Adyanna e Ema repletas de bares, restaurantes e butiques sofisticadas. Passeando por esses lugares, é fácil notar o entra e sai das lojas, a confraternização entre amigos, enfim, a agitação das pessoas. O clima é outro. Nenhuma outra época afeta tanto as pessoas. Mudamos a nossa rotina em troca de longas horas à procura do melhor presente, a compra que não pode faltar nada. Acima da nossa vontade particular, de qualquer jeito, somos levados por esse clima. Como nossa vida é a arte e dela nos cercamos, fui em busca da opinião de uma amiga que pudesse nos dizer mais sobre a época do Natal. Ouvimos a curadora, senhora Ana Bonfim. Para os mais íntimos é a nossa querida Pitiu.
Profissional raríssima no mercado. Tão bem formada quanto atuante. Curadora da mostra “A Caçamba” do SESC SJCampos, artista plástica pós-graduada na ECA, idealizadora do projeto Recriar do Jardim Uirá, integrante do Grupo Núcleo, ela nos fala sobre suas impressões do Natal de hoje.
Pitiu - A representação simbólica do Natal tem uma força que leva as pessoas a refletir sobre o que eu fiz, leva a sensação melancólica de refletir sobre coisas inacabadas. Indagações como ‘será que eu realizei o que eu tinha que realizar?’. Leva a uma sensação de coisas que não acabaram de ser feitas ou que não foram bem finalizadas. Por isso tem muita gente que entra até em angústia nessa época do ano. A data, o fato de estar no Natal, sugere algo como se representasse o comprometimento de finalizar propostas e recomeçar começar coisas novas.
Eliete Santos – E sobre o consumo?
Pitiu - Os adultos estão mais ligados em comprar. E todos os seguimentos têm várias receitas para gastar o seu dinheiro no Natal. Desde uma lembrancinha até presentes de luxo. Mas nisso tudo também tem o encontro com a família, as pessoas viajam para se ver. Sobretudo, acaba acompanhando a coisa do consumo.
Conversamos por mais de meia hora. Ouvi atentamente o desenvolvimento brilhante de uma artista que, como poucos, é muito bem informada e profunda no que reflete. Pitiu não deixou de finalizar, tocando num assunto latente para todos.
Eliete Santos - Mas sobre a representação do Natal?
Pitiu - Estamos num mundo saturado de imagens. Parece-me que a imagem da representação do Natal tem uma força, mas uma força melancólica. E como faz para aparecer nesse mundo saturado? A solução é pelo consumo. Pelo alto consumo e isso dá uma angustia muito grande.
Então é isso, nobres leitores. Dezembro foi assim. Rescaldo final: passamos pela crise sem mortos e feridos. Todos envolvidos pelo espírito do Natal. Seja lá o que for, ninguém ficou de fora. Na onda do presentinho, acho que nem mesmo o cachorrinho da família ficou de fora.
Mas antes de ir embora não posso deixar de dizer que parar para refletir sobre o nosso tempo e as questões que nos cercam .... é nobre!